A madrugada desta quarta-feira, 25 de junho, foi marcada por geadas em diversas cidades do Vale do Paranapanema, surpreendendo produtores rurais com temperaturas abaixo do previsto e causando apreensão sobre possíveis perdas nas lavouras. Em entrevista ao Grupo GR, o engenheiro agrônomo Domenico Vitullo, chefe do Departamento Técnico da Cooperativa Agropecuária de Pedrinhas Paulista (CAP), explicou que ainda não é possível mensurar os prejuízos, mas confirmou que a geada foi generalizada e afetou toda a região.
De acordo com os dados das estações meteorológicas do CIIAGRO (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas) as temperaturas mínimas registradas variaram entre -1,0°C em Assis e 2,1°C em Cândido Mota. Pedrinhas Paulista teve mínima de 1,8°C; Tarumã, 1,0°C; Palmital, 1,3°C; Paraguaçu Paulista, 1,5°C; e Iepê chegou a -0,2°C. “O que temos de informação é que o Vale todo foi atingido. Houve formação de gelo em praticamente todas as áreas”, informou Domenico.
Segundo o agrônomo, a geada veio mais intensa do que as previsões indicavam. A expectativa dos produtores era de temperaturas amenas, entre 4°C e 5°C, o que não configuraria risco de geada. No entanto, a frente fria provocou quedas bruscas de temperatura. “Foi bem abaixo do que o pessoal esperava. As previsões não apontavam geada para hoje. A frente fria entrou com força”, destacou.
A avaliação dos danos ainda está em andamento, já que os efeitos da geada nem sempre são visíveis de imediato. Conforme explica Domenico, muitas lavouras apresentaram manchas — áreas com danos intercaladas a regiões que aparentemente não foram afetadas. “Logo cedo já era possível ver que não foi a lavoura toda que queimou. Tem muita mancha dentro das áreas. A gente vai aguardar alguns dias, com a chegada do sol, para definir o que realmente foi estragado”, disse.
O milho é a cultura mais atingida, e os impactos variam conforme o estágio de desenvolvimento das plantas. Há lavouras em fase vegetativa, de florescimento, granação e até milho já granado. Mesmo o milho mais avançado, que visualmente parece saudável, pode perder qualidade e peso devido à ação do frio. “O milho que está com grão úmido, em estágio de granação, sofre porque o ‘leite’ no interior do grão congela, coagula e causa morte precoce do tecido. Isso compromete o enchimento e o peso do grão. A lavoura vai ter aparência boa, mas o resultado vai ser ruim”, alertou o técnico.
Diante do cenário, o Departamento Técnico da CAP vai monitorar de perto as lavouras nos próximos dias para que seja possível realizar uma avaliação mais precisa dos danos e prestar o atendimento necessários e orientações aos associados.
(Da Redação Grupo GR – Fotos Internet)

Gramado do Estádio de Cruzália amanheceu coberto de uma camada de gelo

Danos nas lavouras de milho serão avaliados, mas perdas são inevitáveis

Áreas de baixada registraram as menores temperaturas da madrugada

Alguns locais registraram até mesmo a formação de gelo
